Atrás dos olhos


Depois de trazer algumas reflexões em partes, inclusive abrindo um parêntese devido aos últimos acontecimentos no oriente médio, embora o tema da paz e pacificação interior sempre foram um dos pilares da minha vida e expressão, está é a última postagem desta série de reflexões e que sincronicamente, vem também inspirada pela postagem de uma amiga.

Pois bem, vivemos um momento em que a humanidade parece estar sob um feitiço no qual Cazuza, me parece que contribuiu e foi um tipo de conjurador ao dizer “ideologia eu quero uma pra viver”.

A humanidade tem tanta ideologia atrás dos olhos que não enxerga aquilo que está diante do nariz, resumindo a vida numa dicotomia insana e radical, “se não está conosco, está contra nós”.

Entenda também como ideologia todos os tipos de crenças e doutrinas, de todos os lados.

Quando me posicionei politicamente ao lado do espectro da direita, não foi por ser de direita, muito menos partidário, foi por defender pautas pró vida e uma justiça igual para todos os lados, pois como vivi alguns anos da minha vida dentro de movimentos culturais e espirituais que estavam situados à esquerda, e detalhe, eu si quer tinha noção disso, pois vivia por pautas ligadas a espiritualidade, autoconhecimento, consciência, ecologia, natureza, cultura de paz e coisas do tipo, porém, ali, eu vi o crescimento de um movimento que não queria justiça, mas sim vingança, “eu cansei de ser oprimido, agora eu quero ser o opressor” e só depois percebi este movimento na política também, pois eu simplesmente não me importava com política.

Sempre questionei isso e tentei dentro do possível trazer estas percepções tanto em minhas artes, palestras quanto em conversas pessoais, mas dado a escalada desses movimentos, precisei primeiro me afastar deles e só depois de alguns anos em silêncio, observando, meditando e refletindo sobre tudo isso, decidi me posicionar, mas acabei me deixando levar por uma onda emocional e reativa, o que passou uma imagem de que eu era de direita e estava combatendo a esquerda e esta questão pode ser perfeitamente compreendida e explicada pela teoria da vara, que diz que quando uma vara está fixada no chão e sua outra extremidade é puxada para um lado, quando solta ela vai para o outro extremo e depois fica indo e voltando, diminuindo sua intensidade até que se equilibre no centro.

Dito isto, não vou ficar justificando nada, foi extremamente importante para o meu crescimento e despertar, pois muitas máscaras caíram e ao me desiludir, ilusões começaram a se desfazer, a visão clareou e o que não se encaixava começou a se encaixar.

Sempre trabalhei pelo equilíbrio da vida, pela consciência, pela paz e pela natureza, reconhecendo e respeitando seus ciclos e a importância de todos os lados, afinal de contas a balança se equilibra no meio e não nos extremos.
Quando partimos para o extremo criamos um cabo de guerra, que inevitavelmente irá trazer dor para todos que estão puxando esta corda, seja pra lá ou pra cá, pois quando se trata de competição, quem perde hoje, se prepara para vir a forra e tentar vencer amanhã.

A natureza, o natural é um pilar em minha vida, em todos os seus espectros e dimensões e a Natureza não dá saltos evolutivos, nem é revolucionária, ela é se transforma e é feita de ciclos em ciclos e quando aprendemos a observar estes ciclos e a nos harmonizar com eles, contribuindo assim com seus funcionamentos, consequentemente contribuímos com o funcionamento harmônico do todo e percebemos que existem questões que não dizem respeito a um lado ou a outro, mas sim, a saúde ao equilíbrio da vida e à própria vida.

Sempre achei que já tinha passado da hora de começarmos a enxergar a humanidade como seres humanos e parar de propagar discursos que evidenciem diferenças raciais, de sexo ou de qualquer outro tipo, pois isso tem contribuído muito mais, para aumentar as diferenças, o extremismo e a distância entre nós, do que de fato para promover algum tipo de justiça social, principalmente quando este discurso está pautado num sentimento de vingança e está disposto a cometer outra injustiça, para promover uma “pseudo justiça” que ao invés de ser cega como deveria, está caolha, enxergando apenas o lado que lhe convém.

O primeiro passo para se promover justiça é sendo justo e honesto, mas quando a justiça é caolha, infelizmente ela já não é mais nem justa, muito menos honesta, pois se baseia por interesses pessoais ou por uma falta de clareza, distorcendo a realidade de acordo com suas ideologias, condicionamentos ou limitações cognitivas.

Então eu encerro esta reflexão fazendo um convite para que façamos uma auto analise honesta e sincera, nos perguntando se o lado que defendemos está do lado da justiça, da honestidade e protege a vida do todo ou se defende apenas as ideologias do lado que nos convém e se por acaso esta reflexão tenha ficado meio sem sentido, sugiro que leia as anteriores, pois elas são complementares.

Dito isto, viro esta página e sego trazendo nossas percepções a cerca do atual momento de transição em que planeta e humanidade estão passando neste momento.


Aho Mitakuye Oyasin

RPM Ecosss

Lua Cheia – novembro – primavera de 2023

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