ARTE DHÁRMICA


Resumidamente, Arte Dharmica é toda expressão artística relacionada ao Dharma do artista ou seja, o seu propósito, a sua missão de vida, a sua medicina, é a forma de contribuir para com o desenvolvimento, equilíbrio, funcionamento e manutenção de toda a vida, elevação da consciência humana e exaltação das virtudes que orientam o bem viver.

Sendo assim, está diretamente relacionada com a elevação consciencial e espiritual, com a cura, com a inspiração, com a beleza, com o sublime e o transcendental.

Mas aqui, específicamente se refere ao dom artístico que por sí só, já pode ser considerado um dharma, um dom divino, ou seja, aquela habilidade nata, que já nasce com a pessoa. Porém, muitos artistas perdem a conexão com os valores virtuosos que nutrem a vida e passam a utilizar seus dons para promoverem valores completamente invertidos, vangloriando vícios, vulgaridades, libertinagens, corrupção de todos os tipos, estética, moral, espiritual, economica, sexual, entre outras.

Então a arte que deveria servir como inspiração para a evolução consciencial e social, acaba promovendo o contrário e influenciando toda uma sociedade.

Já o artista dhármico é aquele que utiliza a arte como ferramente de autoconehcimento e para transformar o mundo num lugar melhor, promover o bem, a virtude, o saudável, o honesto, o belo, o luminoso, o harmonioso, o inspirador e todas as demais virtudes existentes na humanidade e ele faz isso sem esforço, porque a sua expressão e essência, é a arte, seja ela a pintura, a escrita, a dança, a música, o cinema ou qualquer outra.

Vale ressaltar também que o artista dhármico, não apenas, cria suas obras com este intuito, mas ele procura viver sua vida seguindo estes valores e principios. Ele não é um ator que cria um personagem apenas quando está no palco, não, ele vive este personagem que é a sua própria essência, 24 horas por dia, 365 dias por ano, no palco da vida. Isso se torna um código de conduta, uma disciplina a ser seguida e cultivada todos os dias.

E aproveitando este movimento para dar início a apresentação deste universo relacionado a arte dhármica, trago uma de minhas obras preferidas, uma pintura simples e singela, mas muito rica em sua simbologia e significado.
Ela conta com a presença de Kokopelli, uma divindade nativa ligada a fertilidade, a arte, a música, a beleza, alegria, a prosperidade, a cura entre outras bênçãos.

Conta-se em suas lendas, que Kokopelli ao tocar sua flauta convida o Pai Céu para fazer amor com a Mãe Terra, através da chuva, fazendo germinar as sementes e abençoando as plantações com seus frutos.

Conta também com a presença de uma Fênix, que sai em espiral pela flauta de Kokopelli, representando a transformação, o renascimento das cinzas, a renovação, a evolução, o crescimento e expansão.

Outro símbolo presente é a semente e o ciclo do milho, alimento associado a Kokopelli e a prosperidade.

Para muitos povos nativos o milho é um dos alimentos principais de suas culturas, tendo relação inclusive, com o Sol e com a prosperidade.

Contam as histórias que quando um casal queria ter filhos, eles ofertavam milho acima da porta de entrada de suas casas para Kokopelli, pedindo assim a sua benção.

É preciso permitir o velho morrer para que o novo possa nascer, da mesma forma que faz a semente ao germinar.

Além disso precisamos estar conscientes, de que não importa o tamanho dos nossos sonhos, todos eles, começam como uma pequena semente que precisa ser semeada e cultivada com muito amor e dedicação!

Que a medicina desta obra possa abençoar sua vida e a de toda sua família!
Que este movimento artístico voltado ao dharma, possa encontrar solo fértil e inspirar a vida e a arte de muitos artistas pelo mundo.

Aho Mitakuye Oyasin


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