A NATUREZA DA VIDA É CÍCLICA


A natureza da vida é cíclica, esteja ela se manifestando na materialidade ou em dimensões mais sutis do astral.

Tudo vibra e vive em constante transformação, tudo muda de tempo em tempo, a única coisa imutável é a própria mutação.

É do vazio que tudo nasce e curiosamente, adentramos o ano novo astrológico, aqui no hemisfério sul, dentro do outono que representa o vazio e sob a regência de áries, o signo que traz como uma de suas características principais, abrir novos caminhos, desbravar novos horizontes, muitas vezes na teimosia e na cabeçada, mas é a força que inicia e coloca em movimento a energia zodiacal segundo a orientação deste calendário.

É interessante observarmos como todos os movimentos da natureza traz lições que nos ensinam sobre nós mesmos, quando direcionamos este olhar para dentro, do contrário é muito fácil nos perder do lado de fora, olhando pra tudo e não entendendo nada.

Quando saímos do vazio, criamos. A sabedoria taoísta nos diz que é a qualidade vazia do copo que o permite ser preenchido com água, que se o cômodo da casa não fosse vazio, não poderíamos colocar nossos móveis nele ou seja, o vazio, que em algumas interpretações poderia ser chamado de nada, é justamente a qualidade que possibilita a existência de tudo, é o que permite a criação de toda a vida, como a conhecemos.

Quando interferimos nos ciclos naturais, modificamos o rumo das coisas, para isso os taoístas buscam seguir o wu wei, agir sem agir, apenas observando a natureza em seus ciclos e aprendendo a permitir que a natureza da vida siga seu fluxo, quando desviamos um rio de seu caminho, comprometemos toda a vida que se beneficiava deste caminho que foi desviado.

Mas perceba, estamos falando da natureza da vida, então observe a vida ao seu redor e veja se ela tem seguido um fluxo natural ou se hoje, aquilo que chamamos de natural já é consequência do desvio do caminho de alguns rios.

É possível que tenhamos nos desviado tanto, que aquilo que chamamos de natural, seja apenas uma deformação da natureza e esteja muito distante de sua essência natural, ao ponto de que tudo que criamos e construímos com base nesta deformação, corresponda a deformação e não a essência da natureza, inclusive e principalmente os saberes que nos são transmitidos ao longo do tempo, por isso é de extrema importância desenvolvermos a capacidade de silenciar, abandonar todo nosso saber e crenças e simplesmente observar. Estamos no limiar da transição de um grande ciclo e talvez a forma como interpretávamos a vida e seus ciclos não sirvam mais para compreender de forma sincera e honesta este novo ciclo e tudo que vem pela frente.

Precisamos nos inspirar, não na sabedoria dos grandes sábios, mas sim nas mesmas coisas que inspiraram estes grandes sábios, para podermos atualizar estes saberes que acabam muitas vezes ficando engessados em doutrinas, crenças e costumes culturais e que não se encaixam na atualidade.

Veja todo este caos, brigas, guerras e conflitos por poder, tudo para tentar determinar quem tem mais direito ou mais razão que o outro, quem está certo e quem está errado, quem é a vítima e quem é o culpado, isso lhe parece o fluxo natural da vida?
Ainda mais quando isso acontece dentro da espécie a qual dizemos ser a consciente, o homo sapiens sapiens?!

Isso lhe parece fazer sentido?

A vida segue um fluxo que se constrói através da lei de causa e efeito e a consciência humana tende a se desenvolver da escuridão para a luz, quando brigamos com o outro apontando o dedo para ele, disputando para tentar provar quem está certo ou errado, nos perdemos no labirinto dos espelhos, que é repleto de reflexos e sombras, e se quer percebemos isso, pois ainda não alcançamos um estado de consciência mais claro, vivemos a penumbra e nos iludimos facilmente diante de tantas distrações e distorções que a vida nos apresenta do lado de fora e como nos conhecemos muito pouco do lado de dentro, vivemos à mercê e influencia daquilo que vem de fora, contribuindo na maioria das vezes com a distorção da realidade e o caos.

Quando alcançamos este estágio de maior autoconhecimento e clareza, percebemos sim, que existe um caminho que podemos chamar de errado e outro de certo, mas esse julgamento se aplica apenas a nós e nossas escolhas, pois também percebemos que cada ser tem seu nível de  consciência e compreensão da realidade e mesmo tendo o direito e a capacidade de escolha, este nível de consciência conduzira suas escolhas e ações, por um caminho que lhe trará os aprendizados ressonantes com seu nível de consciência ou seja, trará as experiencias e aprendizados necessários para dar um passo adiante, mesmo que isso traga dor e leve um tempo maior ou até mesmo algumas vidas.

Somos seres distintos, cada qual proveniente de um local do universo, com uma idade e cultura diferente, vivenciando experiencias distintas. Se formos honestos perceberemos que não temos capacidade nem o direito de julgar, muito menos de condenar o caminho do outro, pois não conhecemos a sua estrada de vida e nem os caminhos e desvios que trilhou e isso não nos faz melhores nem piores, apenas diferentes. Respeitar esta diferença é, sem dúvida um aprendizado que nós ainda precisamos aprender e muito, pois para isso precisamos ter não apenas uma percepção mais ampla da consciência, mas um nível mais elevado de amor, desapego e fé.

Quando conseguimos sair do labirinto, percebemos que aquilo que compreendemos ser certo ou errado serve apenas para nós mesmos, podemos e devemos compartilhar nossas visões e percepções a cerca disso, principalmente quando elas podem contribuir para uma visão mais clara da realidade, mas jamais devemos utilizar nossa visão e compreensão da vida para julgar, apontar dedos e condenar.
E isso não é uma tarefa simples, pois precisamos nos trabalhar internamente e desenvolver mais amorosidade, compreensão, fé e desapego, pois precisamos aceitar que muitas pessoas queridas, estão escolhendo caminhos distintos dos nossos e isso pode fazer com que nos afastemos destas pessoas, não porque queremos, mas porque se torna incompatível, perdemos o elo que nos mantinha em sintonia.

E está tudo certo, é assim que a vida funciona, é a mesma coisa que acontece quando nos desviamos e nos afastamos daquilo que nos mantinha em sintonia com a espiritualidade (nossos mestres, guias, mentores, anjo da guarda, aliados ou o nome que queira dar, de acordo com sua crença)
Quando isso acontece eles apenas observam e aguardam o momento em que nos sintonizemos novamente permitindo com que eles se aproximem ou melhor dizendo, que nós nos aproximemos deles novamente e isso acontece através de nossas, escolhas, ações e vibrações, que são responsáveis por nos sintonizar com a claridade ou a obscuridade.

Podemos até dar algum conselho ou compartilhar alguma visão, se temos abertura pra isso, mas precisamos estar cientes que julgar, criticar e apontar dedos, inclusive condenando ou dizendo que vai acontecer isso ou aquilo, é se perder no labirinto de novo e contribuir com o caos e não com a clareza e ordem.

Precisamos aprender a ser como o sol, mas com humildade, pois se não existir humildade, podemos estar vivenciando apenas outro salão no labirinto dos espelhos e olhe que este labirinto é repleto de salões e cada um é um universo que se relaciona com todos os tipos de defeitos, vícios e desvios que possam existir e neste caso, se eu não ajo com humildade corro o risco de estar agindo por soberba e prepotência, me julgando iluminado e superior, julgando o outro um ser inferior que ainda vive nas sombras e na perdição.

Fica aqui uma observação, sempre que me percebo julgando algo ou alguém, percebo que estou dentro de um desses labirintos de reflexos e sombras, as vezes percebo isso no instante seguinte, outras vezes me envolvo emocionalmente mais com a situação e leva um tempo maior para perceber, estamos todos aprendendo e somos todos suscetíveis a deslises, faz parte, só precisamos cultivar uma mente alerta para percebermos isso o mais rápido possível, e retornar ao caminho.

Então ser como o sol, é trazer sua clareza ou melhor, buscar sua pureza cultivando uma essência cristalina e permitindo que a luz possa se expressar através de ti, clareado o seu entorno e para isso acontecer simplesmente manifeste sua consciência e permita que cada um enxergue aquilo que tem consciência para enxergar, afinal de contas, o sol quando nasce não fica querendo te mostrar nada, ele simplesmente ilumina tudo e permite que você mesmo encontre o caminho a seguir, prestando atenção aos buracos na estrada e escolhendo qual direção tomar nas encruzilhadas da vida.

Só percebemos o caos da vida, quando lançamos luz sob aspectos que antes estavam embaixo do tapete da consciência, até então, achávamos que estava tudo normal e de repente, acendemos uma luz e percebemos o tanto de sujeira que precisa ser limpa e o tanto de coisa que se encontra fora do lugar e precisa ser colocado de volta ao seu lugar, para que a Natureza volte a ser natural.

Na natureza, tudo tem o seu lugar natural de ser e de estar e quando estamos em nosso lugar, não precisamos fazer força nenhuma para ser quem somos, só precisamos fluir, como um rio que corre em direção ao mar.

Os desvios que fizemos na vida foram grandes, tão grandes que perdemos a noção e o real sentido do que é a nossa natureza e passamos a acreditar que os desvios que criamos era o natural, mas se observarmos com sinceridade, humildade e atenção os verdadeiros ciclos da natureza e toda a sua criação que ainda se encontra, de certa forma natural, poderemos começar a discernir entre o natural que provém da Natureza e o que se tornou natural por nos habituarmos aos desvios do rio, ao ponto de se quer sabermos que o rio tinha sido desviado.

Observando a natureza de uma visão mais ampla e com base em seus ciclos, percebemos que o planeta  já passou por inúmeras transformações, inclusive fazendo com algumas raças, espécies e culturas desaparecessem da face da Terra, algumas deixando seus rastros e histórias e outras que se quer sabemos de sua existência ou sabemos muito pouco, quase nada.
Algumas traições nativas dizem que a Mãe Terra já passou por 4 grandes momentos de transformação, 4 mundos como eles dizem e que agora estamos as portas de entrada do 5° Mundo e todas estas transições foram marcadas por grandes movimentos climáticos e ambientais.

Algumas pessoas, inclusive nativos, presos nos labirintos, acreditam que a Mãe Terra está se vingando do ser humano, mas ela não está, pois uma mãe que se vinga dos próprios filhos, não é uma mãe.
Por mais que existam desequilíbrios ambientais que afetem e criem problemas de ordem climática, este movimento transitório que passamos é parte de um ciclo maior, pelo qual todo o planeta passa.

É claro que se fossemos mais conscientes, poderíamos minimizar muitos danos, inclusive poderíamos ter mais união, estruturas, condições e tecnologias para atravessarmos este momento de uma forma mais branda e sutil, com menos impactos e consequências negativas, mas nosso egoísmo e prepotência, ainda nos limita muito a consciência, preferimos investir em tecnologias bélicas para aumentar nosso poder de controle sob aqueles que julgamos inferiores e que servem de combustível para alimentar nossos desejos mais egoístas e insanos.

De qualquer forma, observar o mundo de fora, tanto o caos quanto os ciclos da natureza, nos possibilita aprender muito sobre nosso mundo interior, só precisamos parar de apontar o dedo para os outros e perceber quais são os desafios que a vida tem nos trazido, o que temos colhido, como temos lidado com essas colheitas, pois a forma como reagimos a elas é uma nova plantação que teremos que colher mais a frente, então é sensato estarmos mais atentos em nossas reações e plantações e por fim em como estamos nos relacionando com tudo e todos ao nosso redor.

Se consigo trazer este olhar para dentro e começo a iluminar os salões que estavam obscuros dentro de mim, melhorando principalmente minhas relações, a começar pela forma como me relaciono comigo mesmo, aos poucos eu começo a enxergar um mundo mais iluminado ao meu redor também e isso se refletira em todas as minhas relações.

É um treino que exige disciplina, mas acima de tudo, determinação, não importa quantas vezes cairemos e muitas vezes cairemos nos mesmos buracos, o que importa é se levantar e jamais desistir, no máximo trocar as estratégias, os caminhos, as companhias, mas sempre seguir em frente, da maneira como pudermos, abandonar o barco não é uma opção, esta tentativa só retardaria o aprendizado e o tempo da travessia por este oceano de inconsciência, ignorância e obscuridade.

Pra finalizar esta explanação, é importante observarmos que a vida material é um dimensão vibratória mais densa daquilo que chamamos de vida espiritual.

A espiritualidade não é algo que vivemos depois ou antes da morte física, a espiritualidade é parte essencial da Natureza e se desdobra em inúmeras dimensões, desde as mais sutis e abstratas às mais densas e concretas, então não temos para onde fugir ou resolvemos agora ou resolvemos depois e dependendo de nossas ações o depois, pode vir com mais ou menos desafios que o agora.

Precisamos viver o bom combate e viver o bom combate é a mesma coisa que seguir pelo caminho da impecabilidade ou seja, darmos o nosso melhor e isso não quer dizer, querer ser o melhor e sempre vencer, mas sim, não desistir, parar quando preciso, recuar se necessário, aguardar o melhor momento, se preparar melhor para a travessia, repensar as estratégias, mas jamais desistir, sempre seguir adiante, dando o seu melhor.

 

RPM Ecosss
Outono – Lua nova – 22/03/2023

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