PROFUNDO COMO UM PÍRES
Desconhecem a própria consciência e se perdem no próprio
umbigo. Tentam explicar o mundo com base no próprio reflexo distorcido que vislumbram
na superfície do pires.
Para aqueles que já fizeram alguns mergulhos mais profundos
e se depararam com suas sombras, reconhecendo algumas de suas máscaras e
personagens, fica mais fácil diferenciar aquilo que é, daquilo que parece e
mesmo assim ainda se confundem.
O autoconhecimento exige mergulhos constantes, muitas vezes
em apneia.
Mas aqueles que não conseguem atravessar além do reflexo superficial
e distorcido que admiram no espelho, se perdem facilmente naquilo que parece,
achando, que é.
Muitos conhecimentos, nos chegam hoje intuitivamente,
resultado de vivências de outras vidas, mas isto se reflete na consciência de
cada indivíduo, em suas ações e nas suas relações com o mundo e não em achismos
ou julgamentos superficiais, muito menos nos personagens que criam para se apresentarem
para a sociedade e em suas mídias.
Aquele que consegue enxergar em si, seja no presente ou no
passado, tudo aquilo que aponta no outro, tem a responsabilidade de não se
perder mais nestes labirintos de espelhos, projeções e sombras.
Mesmo ainda tendo defeitos a serem corrigidos, e todos temos,
é seu dever compartilhar suas percepções, para que possam contribuir com aqueles
que são menos atentos ao próprio mundo interior.
Porém, aqueles que já estão cegos e embriagados pelo ego,
raramente serão capazes de perceber algo e demonstram isso com descrença, deboche,
fanatismo, julgamentos, ofensas e até mesmo com violência.
O papel do marinheiro, que pratica apneia, que faz mergulhos
constantes no vasto oceano do ser e que enxerga algo além da superfície, no
horizonte da consciência, é o de avisar toda a embarcação, mesmo que alguns
duvidem, debochem ou até mesmo tentem lhe desacreditar.
Na hora em que o barco atracar eles não terão como negar,
exceto aqueles que por impaciência, desespero ou prepotência, se lançaram ao
mar da ignorância que é muito profundo, fácil de se perder e de se afogar, mas
que mesmo assim se esconde atras do reflexo distorcido, na superfície de um
pires.
Enquanto não olharmos para dentro e corrigirmos os defeitos
do mundo em nós mesmos, vai faltar dedo pra apontar o defeito alheio e sobrar labirintos
de espelhos, sombras, projeções e pires, para nos perdermos e nos afogarmos em nossos
egos e ismos.

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