A CURA DO MUNDO COMEÇA DENTRO DE NÓS

 

O processo para o ser humano contribuir com a cura planetária começa com a autocura, do contrário apenas maquiamos sintomas e criamos mais algumas máscaras sociais.

Quando tomamos consciência de que a realidade é construída pelo somatório vibracional (que inclui pensamentos, emoções e ações) de cada ser que faz parte deste Grande Mistério que é a vida, percebemos que parte daquilo que vivemos é de nossa responsabilidade, sejam experiências ou situações agradáveis ou desafiadoras e doloridas.

Digo parte, porque como indivíduos (micro) dentro de um sistema muito maior (macro), que é o planeta e o sistema solar, estamos sujeitos a influência deste sistema também e isso não corresponde ao que vibramos, pois faz parte de ciclos cósmicos que por sua vez afetam diretamente nosso planeta, seu clima e a vida de todos os seres que vivem aqui e frente a isso somos apenas grãos de areia.

Porém, quando estamos alinhados com os ciclos naturais, internos e externos, que regem a natureza e o planeta, desenvolvendo autoconhecimento e autocura, que pode ser chamada também de maturidade ou responsabilidade, em todos os níveis, mas sempre começando em nós, cultivando hábitos mais saudáveis, conscientes, amorosos, colaborativos e se estendendo para todo nosso entorno e ciclo de relações, sejam familiares, sociais, ecológicos e planetários, neste caso nós criamos condições e estrutura para lidarmos com estas mudanças e desafios de uma forma muito mais suave e tranquila, isso não quer dizer que não iriam acontecer catástrofes climáticas ou coisas do tipo, mas seus efeitos seriam minimizados ou teríamos condições de passar por isso sem grandes abalos, perdas e sofrimentos.

Acreditar que tudo que acontece no planeta é causado pelo ser humano é só mais um reflexo de nossa imaturidade consciencial e mania de grandeza, alguns dizem que somos deuses, mas se quer aprendemos a ser humanos.

É importante termos consciência de que não estamos aqui, neste momento, por acaso.
Ninguém na face da Terra, estejam no plano material, encarnados ou nas dimensões astrais dos planos espirituais, desde os umbrais mais densos até os mais sutis que servem como plataformas de transição para planos mais elevados da consciência, mas que ainda fazem parte das dimensões da Terra, está aqui por acaso.
Estamos aqui porque temos resgates e compromissos, pois estamos em ressonância com este momento de transição em que o planeta e a humanidade se encontram.

Não existem vítimas, não existem culpados, o que existe são seres que buscam se responsabilizar, procurando trabalhar aonde realmente podem fazer alguma mudança e este lugar começa em nosso interior, na nossa consciência e se expande ao nosso entorno, e seres completamente adormecidos, imaturos e irresponsáveis, que só buscam, de forma egoísta, prazer e poder e que, quando estão em alguma posição de poder e influência, ao invés de promover ordem e criar solução para os conflitos e desafios, acabam fazendo justamente o contrário, mas que fique claro, se estas irresponsabilidades nos afetam, é porque temos partes adoecidas em nossa consciência que ressoam com elas ainda.

Algumas destas questões podem ser resolvidas com reforma intima, exceto quando são resgates de outros tempos, nesses casos a reforma intima não teria como resolver todos os problemas, mas poderia dar melhores condições, suporte e estrutura para enfrenta-los da melhor maneira possível.

Como diz o ditado, se a vida te dá limões, aprenda a fazer no mínimo uma boa limonada.

Façamos nossa parte com aquilo que temos em mãos e contribuamos para que os demais possam fazer a parte deles também, se não pudermos contribuir, que tenhamos maturidade para silenciar e observar, pois dentro da ordem de ressonância e da lei de ação e reação, está tudo certo, o mais importante mesmo é fazer o trabalho interno e buscar, de forma sincera e honesta contribuir para resolver desafios maiores, mesmo com os defeitos e limitações que ainda possuímos.

Não desejar o mal de “ninguém” já seria um grande passo e o dia que a humanidade conseguir vibrar neste mínimo estado de consciência, entraremos com os dois pés no tempo de regeneração ao qual ainda estamos no seu limiar, olhando desconfiados pelo o que vem pela frente e apegados ao que nos puxa para traz e nos impede de avançar em nosso desenvolvimento consciencial.

Um tipo de atitude que pode nos conduzir a este estado é avaliarmos se aquilo que fazemos, nos agradaria se fosse feito conosco, mas somado a isso devemos tomar consciência se nossa ação tem como base e promove o amor e a cura e neste ponto, para muitos de nós, isto é um grande desafio, pois nos deparamos com situações que, cada indivíduo, de acordo com suas crenças e valores morais, pode entender determinadas situações como erradas, maldosas e que não deveria existir.
Mas até que ponto é coerente utilizar artimanhas que não sejam do amor para promover o amor e até que ponto se deve permitir que a violência ganhe espaço, pois não devemos usar violência para combater a violência ou outros tipos de punições para o que julgamos errado?
Será que existe coerência no paradoxo da tolerância que nos diz que não devemos tolerar o intolerante.
Qual a régua capaz de medir isso de forma justa?

O amor deve aceitar tudo e permitir ser crucificado, assim como nos disse Cristo ou será que devemos criar forças para nutrir e permitir este amor nascer em nosso interior de forma verdadeira ao ponto de que ele possa contribuir com a cura de toda a violência, pela sua simples emanação e irradiação, porém se observamos por esta ótica, percebemos que nem Cristo conseguiu isso, pois terminou crucificado deixando uma mensagem de que o amor está disposto a entregar a própria vida, mas não a tirar a vida do outro.
Cristo também disse que seriamos capazes de realizar proezas maiores que as deles, então, neste caso, talvez conseguíssemos alcançar um estado de consciência, vibração e irradiação que possa sim, influenciar todos aqueles que vibravam em ressonância com o mal e com a violência, fazendo com que agora se sintonizassem com uma vibração mais pura, consciente e amorosa.

Parece utópico pensar nisso, até porque não conhecemos ninguém assim, porém se existe esta possibilidade o caminho é na direção do nosso aprimoramento e elevação consciencial e para isso precisamos empreender esta jornada de auto cura, do contrário, estaremos apenas vivendo ilusões e camuflando o mal com nomes e ideologias bonitas de serem vendidas para a sociedade através das mídias, arte e todo meio cultural ao qual estamos inseridos.

Se fazemos nossa parte, contribuímos com a solução, mas, se nos fazemos de vítimas apenas apontando dedos e lamentando as injustiças cometidas contra nós, infelizmente ainda fazemos parte do problema, mas entenda, fazer a sua parte, não quer dizer que você não aponte situações equivocadas, muito menos que não se oponham ao que está errado, a diferença está na forma como você enfrenta as suas batalhas.

Se você é contra a violência, não se arme com armas de guerra, comece a promover a paz, mas não se esqueça, este trabalho começa em seu interior e irradia para o seu entorno, você pode até se posicionar com uma flor diante de um canhão, mas só se estiver de fato pronto para entregar sua vida em nome da paz e do amor.

Temos um centro racional e um sensorial, nenhum deles é prioridade, ambos precisam estar alinhados e trabalhando juntos de forma equilibrada e cooperativa, pois cada um e responsável pela parte que lhe compete no todo, assim como cada ser existente no planeta é responsável por zelar por uma parte desse Grande Mistério.

Todos temos nosso lugar na Natureza e só passamos a ter consciência deste lugar, quando começamos a sair da borda do nosso ser, das aparências e futilidades superficiais e passamos a ir em busca de nosso centro, de nossa natureza e essência, só aí começamos a tomar consciência de que somos responsáveis por uma parte deste Grande Mistério e esta responsabilidade não tem a ver com aquilo que queremos, mas sim com aquilo que somos e com as habilidades e potencias que trazemos em nosso ser.

Você, quando vê um problema no mundo, julga e condena o erro do outro imediatamente ou procura uma forma de contribuir para que este erro não seja mais alimentado?
Mesmo que sua ação não alcance o outro diretamente, se ela já é sincera e real na sua vida, ela alcançara quem deve alcançar em suas relações e ciclos sociais.

É importante lembrar que um jardim não floresce porque você se preocupa com ele ou porque sabe que precisa regar, podar, limpar as ervas daninhas e remover os parasitas, um jardim floresce quando você sai do campo mental e parte para a ação, cuidando de seu cultivo e de todas as suas necessidades.

Então, como você vem cultivando o jardim que é a sua vida?

Não precisamos de ideologias ou crenças que nos separem mais ainda, precisamos quebrar os muros que nos separam, primeiro os que separam nós de nós mesmos, nossas crenças limitantes e fragmentadas, cheia de traumas, medos e preconceitos, e a partir dai chegaremos num outro estado de consciência que nos permitirá compreendermos que independente de estarmos em corpos femininos, masculinos, brancos, pretos, vermelhos ou amarelos, ricos ou pobres, belos ou feios, tudo isso é transitório e muda a cada vida, o que importa de fato é que somos todos seres humanos e precisamos resgatar esta humanidade, pois muitas ideologias tem promovido mais separação, criando cada vez mais tribos e clãs que geram mais separação ainda, contribuindo assim com mais conflitos e violência e o curioso é que alguns estão num estado tão profundo de inconsciência que acreditam que estão promovendo inclusão, quando na verdade estão dividindo mais ainda.

A consciência tem um lugar de estar, muito acima deste, ao qual está localizada na grande maioria das pessoas atualmente e este acima não se refere a superioridade, mas sim a expansão, como a visão de uma águia que consegue se elevar além das limitações da superfície e enxergar com maior amplitude e clareza todo o seu entorno.

Podemos mudar e curar o mundo, mas só se começarmos a mudar e curar a nós mesmos e as nossas relações, sem fazer isso antes, só mudaremos os cenários e os figurinos, mas continuaremos revivendo as mesmas histórias e dramas do passado em tempos novos e com personagens diferentes mas repetindo os mesmos scripts.

Se aquilo que eu gostaria de ver nos outros ou o que eu exijo do mundo, não é parte da jornada que eu empreendo em meu interior, eu sou apenas mais um sonambulo, pensando que acordou só porque o sol nasceu, mas sinto em lhe informar, o sol só nasce realmente, quando ele desponta no horizonte da sua consciência iluminando o seu coração e quando isso acontece não existem mais dúvidas, assim como também não existem mais certezas, resta apenas o ser consciente de qual é o seu lugar e o que ele deve fazer para contribuir com a cura e harmonia do todo, aliás, até que despertemos, se quer somos nós quem vivemos as nossas vidas, pois a entregamos para que sejam governadas pela nossa inconsciência, traumas, medos, crenças e manipulações externas, pense nisso.

A consciência desperta é o farol que deve nos guiar, esta é a meta ao qual devemos seguir, somos parte do Grande Mistério e existe um mistério dentro de cada um de nós que apenas nós mesmos podemos desvendar e ao desvendá-lo, passamos a nos integrar ao todo, assumindo nosso lugar e permitindo que a essência se revele em nossas habilidades, dons e relações.

A cura do mundo começa dentro de mim e dentro de você.

 

Aho Mitakuye Oyasin

RPM ECOSSS

Abril - Lua minguante – Outono - 2023

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