COMEÇA DENTRO DE NÓS

 


Se soubéssemos o real poder e potencial que existe ao pacificar nossas mentes e corações, combateriamos todas as guerras do mundo em nós mesmos, enfrentando todos os inimigos que carregamos em nosso interior, aqueles que se escondem atrás de nossas vaidades e vícios egoístas.

Apenas uma consciência adoecida é capaz de matar seus semelhantes para defender suas crenças e ideologias, as quais dizem justamente, combater as injustiças do mundo, quando na verdade servem apenas de fachada para alimentar suas vaidades egoístas e tiranias, pois não se repara uma injustiça cometendo outra.

E são exatamente as consequências dessas ações e reações que aprisionam a humanidade nestes ciclos de guerras, tiranias, misérias e sofrimentos que afligem toda a humanidade ao longo do tempo.

Já passou da hora de pararmos de lutar por um lado ou pelo outro ou para defender qualquer tipo de crença ou ideologia partidária e aqui eu digo partidária com relação a todo tipo de ideologia e crença que divida a humanidade em partes, em lados, criando uma eterna disputa entre raças, sexo, política, religiões e tantas outras coisas que só nos causam dor, miséria, sofrimento e servem apenas para movimentar a roda, colocando de tempos em tempos quem está por cima, pra baixo e quem está por baixo pra cima, uma hora somos caça e outra hora caçadores.

Infelizmente a nossa incapacidade de nutrir um estado de paz interior, nos cega para percebermos isso, sem falar de tantos outros vícios, que turvam nossa visão, contaminam nossas emoções e anulam o real potencial de nossas consciências, as mantendo em um constante estado de sonambulismo e entorpecimento, chamem estes vícios de drogas, remédios, medicinas, ideologias, dogmas ou crenças.
Pois sejam quais forem, são eles que justamente contribuem para que continuemos alienados, brigando uns contra os outros enquanto na verdade estamos todos sendo manipulados, por influencias espirituais sombrias, estejam elas encarnadas ou em outros planos dimensionais.

Precisamos aprender a empreender nossas forças, inspirações e ações pela humanidade e não pelas suas partes, só assim poremos fim a este ciclo de dor e sofrimento.

Somos capazes de mudar o rumo dessa história, mas estamos empreendendo esta luta no campo de batalha errado, estamos brigando com nossos vizinhos, parentes, conhecidos e amigos e ao invés de sermos justos e acabar com as diferenças, estamos promovendo mais separação e acentuando ainda mais o conflito entre nossas diferenças.

Não é uma tarefa fácil, muito menos simples, quando olhamos para a realidade sombria e complexa que criamos.

Nos desviamos e muito do nosso caminho e seguimos desviando de desvios por muito tempo, por muitas vidas, mas não é no lado de fora que vamos mudar isso, apenas do lado de dentro seremos capazes de vencer esta batalha.

E a única coisa que precisamos para combater esta guerra, é entrarmos no silêncio e pacificarmos nossas mentes e corações, pois enquanto estivermos neste turbilhão de emoções e distrações, estaremos com a consciência contaminada e nossa visão estará sempre turva, como num recipiente com água e terra que ao ser agitado, tira toda a transparência da água, mas depois de um tempo de silêncio e quietude a sujeira decanta e começamos a enxergar a vida com mais clareza.

A partir deste ponto fica claro percebermos quais são as ações, vícios e hábitos que viemos cultivando e que são nocivos a nós mesmos e a todo o nosso entorno.

Depois de encontrar um certo ponto de clareza e perceber a potência consciencial que isso nos traz, qualquer escolha que nos leve a menos que isso, se torna irrelevante e fácil de ser descartada, não faria mais sentido, seria como escolher andar de olhos fechados, batendo em tudo pela frente e se machucando, quando podemos simplesmente abrir os olhos e enxergar tudo ao nosso redor e ter um caminhar mais assertivo.

E o melhor, você não precisa usar nada para isso, precisa simplesmente ser, silenciar, aquietar o seu eu falante e permitir todo o turbilhão emocional decantar no fundo do seu copo consciencial, não existe outro caminho para criar a paz, se não, cultivando-a em nosso interior.

No começo isso pode dar um pouco de trabalho, pois não fomos ensinados a silenciar e a encontrar plenitude em nós mesmos, em nossa solitude, nem a ter o hábito de olhar para dentro e encarar nossos defeitos, vícios e erros, principalmente nos tempos atuais que nos atropela o tempo todo com excesso de informação querendo sempre nos vender alguma coisa disfarçada de técnica ou produto revolucionários que acabaram com todos os nossos problemas.

Mas a verdade é que, se queremos corrigir a rota e contribuir para a construção de uma cultura de paz em que a humanidade realmente “de certo”, silenciar, olhara pra dentro e promover uma verdadeira reforma intima, é o único caminho, esta é a única batalha que realmente vale a pena lutar e se existe um inimigo que precisa ser exterminado ele com certeza está dentro de nós e pode se apresentar sob muitas faces conhecidas e desconhecidas, mas um dos nomes que ele tenta esconder por trás de todas essas máscaras ideológicas, de justiças, injustiças e suas justificativas, sempre tentando te apontar um culpado externo, quando na verdade o único responsável por tudo isso é ele, o egoísmo, e uma característica intrínseca do egoísmo que nos auxilia a encontra-lo, é a vaidade.

Quando encaramos de frente nossas vaidades e percebemos o quanto elas alimentam nosso egoísmo, é ai que podemos realmente começar a fazer a mudança que queremos no mundo, mas enquanto nos perdemos aqui do lado de fora, apontando dedos e querendo encontrar culpados ou fugindo da realidade, de nossas responsabilidade e dos seus desafios entorpecendo a mente e contaminando a consciência com nossos vícios e buscas por poder e prazeres rápidos, vazios e fugazes, infelizmente estaremos contribuindo para que esse inimigo se fortaleça ainda mais em nosso interior, dominando nossa consciência ao ponto de continuar alimentando nossa alienação e a vontade de combater o mal do mundo, no outro, gerando mais conflitos.

E assim, tome consciência de que, até que despertemos nossa consciência para um estado de lucidez e presença, nosso verdadeiro ser se quer existe, exceto em algumas pequenas ocasiões pontuais em que a vida nos leva para este estado de lucidez e presença, do contrário não somos nem nós que vivemos nossas próprias vidas, pois elas são vividas pelas nossas crenças, condicionamentos, traumas e vícios e tudo isso já é um estado de entorpecimento.

Quando cultivamos a paz interior, uma consciência cristalina começa a florescer em nosso ser e não precisamos mais lutar contra o mal do mundo por dois motivos, primeiro por que nossa ação já estará contribuindo com a paz e a consciência, não tem como ser diferente disso e segundo porque aquilo que chamamos de “mal” morre por si mesmo quando deixamos de alimenta-lo.

Não existe guerra santa e não existe lado certo em nenhuma guerra, exceto quando esta guerra é combatida no lado de dentro.

Podemos mudar isso ou permitir que se prolongue mais ainda, só precisamos fazer a nossa parte, enquanto o mundo que passa por sua transição faz a parte dele, ainda temos a possibilidade de despertar e contribuir com a construção de uma humanidade mais humana, só precisamos empreender esta batalha contra o verdadeiro inimigo e no local certo, dentro de nós.

A vida luta pela vida e precisamos entender que todo o mal do mundo é feito por pessoas como nós que adoeceram e se perderam deste caminho da vida, mas são nossos irmãos, filhos da mesma fonte criadora que nos gerou e com certeza eles tem também o seu papel e lugar no mundo, porém ao invés de colocarem suas habilidades e dons para servir a vida e a consciência, devido a estarem doentes acabam contribuindo com a morte e o mal, então nosso papel é tentar despertar estes irmãos, não devemos nos alegrar com o sofrimento do outro, nem lhes desejar um mal maior, isso é se algemar a lei do retorno e atrair dor semelhante para nossas futuras colheitas.

Esta lei não falha, quer você acredite nela ou não, tudo que plantamos, iremos colher.

Fizemos muitas plantações inconscientes a bel prazer e estamos no momento de grandes e significativas colheitas, basta dar uma olhada no mundo, no ânimo das pessoas, no extremismo e nas mudanças climáticas.

Estamos em um momento de transição planetária e já deveríamos ter iniciado esse movimento de combater nossos inimigos internos e pacificarmos nosso ser a muito tempo, mas ainda podemos fazer isso e contribuir para que passemos pelos desafios que virão de uma forma mais branda ou se continuarmos alimentando a polarização lutando por lados ou desejando o sofrimento de nossos algozes, podemos contribuir para que esta transição seja mais desafiadora e dolorida ainda.

Façamos a nossa parte e se pudermos ajudar nossos irmãos a despertarem, ótimo, mas não nos esqueçamos que só podemos mudar a nós mesmo, não podemos mudar o outro, exceto se ele quiser e neste caso, nosso exemplo pode ter um papel muito importante e significativo neste despertar e na construção desse caminho para a paz, lembrando que a paz é o próprio e o único caminho que nos conduzirá a paz e ela começa a nascer em no jardim de nossas vidas somente depois de ser cultivada em nosso interior.

Já dizia Gandhi que não existe caminho para a paz, a paz é o caminho!


Aho Mitakuye Oyasin!

RPM ECOSSS

Lua minguante – outubro - primavera de 2023

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