Uma flecha depois de lançada não pode ser parada.

 


Tem uma flecha que há muito tempo foi lançada e até os dias de hoje não parou, continua sendo impulsionada por mecanismos e seres que se beneficiam desse movimento que geram muitas coisas nocivas ao desenvolvimento da consciência humana, dentre elas estão os conflitos e as guerras.

Aquilo que está em curso não pode ser parado, pois pertence a um ciclo de ação e reação e embora todos possamos mudar nossas ações a qualquer momento, o atual ponto ao que chegamos não demonstra a capacidade de determinadas ações serem interrompidas antes de culminarem em acontecimentos que acabem gerando mais dor e sofrimento A ganancia, o ego e a sede de poder dos donos do mundo parecem não ter fim e embora estes, apenas soprem as brasas para todos os lados, quem joga lenha e combustível fazendo esta brasa virar um incêndio, é a própria humanidade entorpecida e manipulada.

Uma guerra jamais deveria ser aplaudida e deveria ser evitada a todo custo, mas depois que as flechas do passado são impulsionadas, suas consequências serão colhidas.
Nada começa do nada, tudo é um processo que é plantado e cultivado antes de vir à tona, são reações em cima de reações que acabam virando um tsunami.

É importante se levantar contra o mal, mas é preciso ter clareza, pois se você se levanta contra o mal para gerar mais mal em nome de um suposto bem, não tenha dúvidas, você faz parte do mal também, é apenas outra face dele.

Se queremos nos levantar contra o mal de fato, sem nos tornarmos outro mal, precisamos estar dispostos a abandonar nossas vidas, nesta vida ou podemos nos levantar a favor de um “Bem” e neste caso, seguimos por um caminho paralelo que não vá de encontro ao mal e que não gere conflito, como um rio, que não confronta os obstáculos, mas os contorna e continua em seu caminho rumo ao mar.

Se por ventura o mal vier ao nosso encontro, tentamos contorna-lo novamente sem nos deixarmos seduzir pelas suas artimanhas ou disputa de egos, muito menos por confrontos, principalmente os violentos.
Isso não quer dizer que não devemos lutar, mas sim, que se nos colocamos como bem, não podemos utilizar as mesmas armas do mal, nossas armas e nosso campo de batalha são outros.

E isso exige um certo nível de consciência, um caminho de retidão, entrega, força e coragem pois seremos tentados e provocados em toda brecha que dermos.

É importante trazer outra perspectiva para a nossa consciência, antes de darmos sequência a esta reflexão, pois existe um bem que é a polaridade contrária ao mal e dentro deste contexto polar, este bem alimenta o conflito e impulsiona a flecha da guerra também, pois se trata de um bem ilusório, ainda preso aos meandres do egoísmo competitivo e suas vaidades, mas existe um “Bem” (se é que posso chamar assim) que está além dessa polarização que se opõem e faz parte de uma polaridade que se compõem e não competem, mas que cooperam juntas pelo crescimento e harmonia do todo, contemplando todos os lados em benefício do todo.

Para ilustrar imagine dois pedaços de imã, quando as polaridades são iguais eles se repelem, isso representa esse bem que é a outra face do mal, eles não conseguem conviver juntos, mesmo quando tentam se disfarçar de bem, chamando seu opositor de mal.
Porém quando as polaridades são diferentes, eles se juntam contribuindo um com o outro, essa união nos aproxima e nos une em pró de um bem maior e comum a todos, não existe competição neste caso. Mas para que isso aconteça, em termos de relações humanas, precisamos ajustar um tanto de valores, crenças, condicionamentos, ilusões e feridas que carregamos dentro de nós.

Esse “Bem” é tudo que nutre a vida contribuindo com a existência e harmonia de tudo.

Ele foi e ainda é incompreendido por muitas pessoas que tentam entender alguns movimentos do passado com suas histórias, versões e narrativas distintas, sem antes limpar a lente de suas próprias crenças, clareando suas consciências para poder enxergar a realidade.

Este “Bem”, não promove o mal, mas você pode se confundir quando entende por mal, algo que faz parte do processo natural da vida, como por exemplo a morte.

Com isso, não quero dizer que este “Bem” possa promover a morte, não, pois promove a vida, mas ele tem consciência de que a morte é parte da vida, é apenas um processo natural de finalização de um ciclo de experiencias, realizações e aprendizados e dependendo da forma como aquela vida foi vivida e as consequências que foram geradas pelas suas ações passadas, a finalização deste ciclo pode ser repleta de dor e sofrimento.

Dentro desta polarização que vive competindo, até existem percepções a cerca deste “Bem” que se compõem, cada lado enxerga alguns fragmentos dos valores que são importantes para a vida, mas ambos os lados se equivocam, na forma como se expressão na hora de realizar este “Bem”.

Por conta de suas crenças, têm uma visão completamente distorcida da realidade e nestes casos, não se pode esperar que aqueles que não enxerga o caminho com clareza, saibam andar de forma coerente pelas estradas da vida, mas condená-los ou culpa-los não resolve o problema, apenas agrava.

Imagine uma situação, o papel de todo professor é ensinar, certo? E na escola da vida, todos somos um pouco, professores e alunos, mas já pensou se você chega em uma escola e o professor ao invés de te ensinar ele te chama de burro e te reprova, sem ao menos se esforçar para lhe ensinar?
Por outra perspectiva, imagine aquele aluno rebelde que não quer aprender nada do que o professor ensina, quer fazer tudo do seu jeito e não está nem aí com a lição e no fim do ano é reprovado?

Pois bem, existem estas duas possibilidades mais contrastantes, entre tantas outras. Mas quando você se propõem a ser um bom professor, você quer ver o avanço de todos os alunos e para isso busca maneiras diferentes de tratar o mesmo assunto, para poder melhorar a capacidade de percepção e aprendizado dos seus alunos, afinal de contas cada aluno aprende de um jeito e inclusive tem aqueles que gostam de aprender só pela dor, batendo de cara contra a parede e repetindo de ano, ano após ano.
Mas se todos estão abertos para aprender e os professores buscam formas distintas e criativas para ensinar o mesmo assunto, trazendo sempre outras perspectivas, é provável que todos aprendam esta lição e é claro que uns terão mais facilidade que outros em determinados assuntos, afinal de contas cada ser é único e tem habilidades, facilidades e dificuldades distintas.

Talvez só nos falte alguns professores mais dispostos e criativos para nos ensinar, compreendendo as nossas perspectivas distintas e únicas, e para isso é preciso paciência, que é justamente uma das virtudes que servem como pilar para este “Bem” ou talvez, como alunos, nos falte um pouco mais de humildade para permitir que outros possam nos ensinar algo novo e menos rebeldia para ouvir a perspectiva do outro, principalmente daqueles com mais experiência.

Quando quem caminha neste “Bem”, percebe os tropeços e as consequências desse caminhar sem clareza que traz dor e sofrimento, ele não julga, muito menos se deixa consumir pelo ódio, raiva, desejo de vingança, não se afunda na dor e no sofrimento nem na perda, reclamando das injustiças do mundo, apontando culpados ou querendo puni-los, pelo contrário, ele se coloca num lugar de compaixão, aceitação e até mesmo de oração pois sabe que tudo é parte de um grande ciclo de aprendizados, de plantações e colheitas.

Quando uma situação traz um certo peso, quem vive neste “Bem” não contribuiu para o peso ficar mais pesado ainda, mas sim procura uma forma de trazer entendimento à consciência de quem carrega este fardo e quando possível contribui para que ele fique mais leve e quando não pode fazer nada, apenas silencia e observa de forma compassiva.

Toda guerra mata pessoas que não tiveram relação direta com os motivos que levaram àquela guerra a acontecer e que inclusive muitas vezes discordam completamente destes motivos, porém ninguém morre antes da sua hora e por mais cruel que pareça aos nossos olhos, ninguém sofre uma morte que não seja de acordo com a sua colheita, é parte da lei do karma e de sua expiação, é a ação e sua reação, quer você acredite nisso ou não.

Com o passar do tempo e com a maturidade consciencial da humanidade, todos chegarão ao ponto onde esta realidade não será mais encarada como um tipo de crença, pois apenas a experiência individual nos liberta das crenças ilusórias e nos coloca em relação direta com a realidade.

Dito isso, o alerta é para que procuremos ser compassivos, emanando vibrações luminosas, amorosas, pacíficas e curativas em nossas orações, intenções e ações, para todo o mundo e todos aqueles que estão passando por situações desafiadoras repletas de terror, dor e sofrimento, sejam por situações de guerra, de fome, miséria, doenças, cataclismas ambientais ou qualquer outra que seja e para isso não precisamos tomar partidos, escolher lados ou fazer julgamentos que sejam polarizadores.  

Todos somos passíveis de erro e se hoje alguns são mais assertivos que outros, é porque já cometeram muitos erros como estes no passado e foram aprendendo as lições ao longo das experiencias vividas, nessa e em outras vidas.

Sei que muitos não entenderão este posicionamento e defenderão um lado, justificando com a crueldade e desumanidade do outro lado e eu compreendo isso, mas se trabalhamos realmente na luz, queremos iluminar aquilo que está escuro, trazendo para a luz o maior número possível de seres e não alimentar a escuridão desejando um mal maior ou os condenando a uma eterna punição, este tipo de ação é como alimentar um animal ferido, faminto e feroz, que possui uma fome insaciável e quanto mais você alimenta ele, maior se torna a sua fome.

Todo ser disposto a cometer atos de extrema crueldade e frieza principalmente contra pessoas indefesas, idosas, mulheres, jovens e crianças, é um animal ferido e feroz que se alimenta do ódio que recebe dos seus adversários, ficando mais famintos ainda e nossas ações, as vezes podem auxiliar a curar esta ferida, que é a origem dessa ferocidade toda, as vezes é uma ferida profunda e muito antiga que não pode ser curada agora, neste caso, tenhamos uma atitude compassiva e não vingativa e agressiva.

Entenda que estas lutas que estão sendo travadas na matéria, estão sendo travadas e influenciadas em maior proporção em outras dimensões espirituais, além da matéria também, e se você dá abertura para desejar um mal igual ou até mesmo pior para aquele que julga ser seu inimigo, a mesma energia sombria que se alimenta e influencia estas pessoas, encontrará uma fonte de alimento e influencia em você também.

Tem uma frase que diz “eu sou bom, mas quando sou ruim eu sou melhor ainda” então cuidado.
Se você pensa assim, pode estar entrando em sintonia de influência e ressonância com os mesmos seres obscuros que influenciam o seu possível inimigo e de repente você começa a se sentir um justiceiro revolucionário e a querer que todos aqueles que pensam e professam uma crença ou fé diferente da sua, sejam exterminados da face da Terra e não raramente acaba cometendo as mesmas atrocidades das quais lutava contra, quando não faz pior ainda.

Sempre que uma força se levanta de forma opressora, inevitavelmente ele estará criando e alimentando o surgimento de uma força semelhante que irá lhe combater e será sua polaridade oposta.

Este é um mecanismo que tenta restabelecer um certo equilíbrio na vida, mesmo que leve séculos ou milênios, não tenha dúvida, enquanto estamos presos a este ciclo de competição que alimentam e impulsionam a flecha e a roda da guerra, sempre que um mal se levantar, um mal equivalente surgira para o confrontar e quando isso acontece, todos perdem novamente.

Este fato foi repetido por muitas vezes ao longo de vidas e vidas na história humana, aqueles que se julgavam os mocinhos de um determinado contexto, se tornaram o vilão e aí surgiram outros mocinhos para combater estes vilões que depois também se tornaram vilões e essa roda segue girando por milênios, vidas e mais vidas, até os dias de hoje.
Tudo porque sempre olham apenas para um lado e nunca para o todo.

Se você não quer impulsionar esta flecha que foi lançada a muito tempo e que movimenta os ciclos desta roda, comece a cultivar a paz interior e contribua para criar uma cultura de paz, meditando e se observando sempre, para evitar desejar o mal de alguém ou torcer para algum lado de uma guerra ou qualquer tipo de conflito ideológico, religioso e político. E se perceber que pensou ou desejou o mal para alguém, de forma silenciosa em seu interior, busque o entendimento, arrependimento e o perdão e intua um pensamento mais luminoso e compassivo ou uma oração na direção dessa pessoa ou grupo ideológico que for.

Nos tempos de hoje, está muito fácil nos envolvermos emocionalmente e quando percebemos já estamos tomando um partido e pensando negativamente e o grande excesso de informação manipulada pelas mídias e nossa falta de freio para com estes aparelhos tecnológicos que nos aprisionam nessa ilusão de liberdade, impedem nossa mente e nosso corpo de se desligarem destes conflitos externos e consequentemente nos impedem de resolver nossos conflitos internos, pois para isso, precisamos cultivar o silêncio meditativo.

Quando não resolvemos os conflitos que existem em nós, em nosso mundo interior, os projetamos no mundo e combatemos nos outros, em nossas relações, tudo aquilo que deveríamos combater em nós mesmos, é um labirinto de espelhos, vemos no outro aquilo que não enxergamos em nós e passamos vidas presos nesses labirintos dando impulso a esta flecha que mantem ativa a roda dos conflitos e guerras.

O campo de batalha real ao qual devemos empreender nossa verdadeira batalha é dentro de nós, contra todos os ditadores cruéis e sanguinários que se escondem atrás das diversas máscaras sociais que carregamos e que se alimentam das nossas vaidades, ignorância, vícios, prazeres, brincadeiras maliciosas e preconceituosas, e principalmente do nosso egoísmo.

Nossos reais inimigos residem dentro de nós e só quando empreendemos uma batalha para vencê-los em nosso interior, contribuímos de fato para acabar com as guerras do mundo, pois são estes inimigos, quem alimentam e contribuem para impulsionar esta roda e estes ciclos de sofrimentos, conflitos e guerras.

São eles que colocam irmãos contra irmãos, pais contra filhos, amigos contra amigos, homem contra mulher, pretos contra brancos, índios contra não índios, esquerda contra direita e todos os demais tipos de conflitos polarizados e divisões sociais que conseguimos criar e olha que atualmente as classificações e divisões para isso se multiplicam diariamente e isso só intensifica ainda mais a separação, o caos e o conflito polarizado, isso nos conduz cada vez mais aos extremos, nos tornando cada vez mais extremistas e ai já sabemos o resultado.

Precisamos nos enxergar como seres humanos e parar com esta insanidade de querer ficar dividindo tudo em partes, criando cada vez mais rótulos, nomenclaturas e separação.
Esta cultura “a lá Jack o estripador” está esquartejando a nossa humanidade, dilacerando nossa consciência e nos distanciando cada vez mais da real guerra que precisa ser combatida.

A paz do mundo começa dentro de cada um de nós, este é o real campo de batalha ao qual todos que se dizem da luz devem empreender suas batalhas.

Se assim fizermos, os resultados naturalmente se refletirão no mundo e em tudo ao nosso redor.

A paz que buscamos no mundo só pode começar a nascer se iniciamos seu cultivo em nosso interior.

Sei que muitas crenças entendem a morte como fim e não compreendem ainda a realidade da reencarnação e dos karmas desafiadores causados por muitas ações equivocadas do passado, que impulsionaram esta roda e ainda à impulsionam nos tempos atuais.

Neste caso, só posso intuir e desejar que ao menos busquem estudar mais sobre estes temas ou procurem lugares sérios onde possam participar de grupos de estudos, práticas e trabalhos para poderem vivenciar experiencias deste tipo e expandirem um pouco a consciência.

Do contrário só me resta cultivar a paz em meu interior seguir meu caminho, colher as flores e espinhos que plantei em outros tempos, nesta e em outras vidas e fazer a minha parte, pois só podemos mudar a nós mesmo, querer mudar o outro é justamente uma das raízes dos conflitos e guerras que assolam a humanidade por milênios.

Espero que de alguma forma tenha contribuído para um entendimento um pouco mais claro e amplo sobre o momento em que vivemos, que é delicado e está apenas começando, pois como alguns dizem, “antes de melhorar vai piorar”, é parte do processo de transição planetária, de limpeza e realocação dos seres violentos que não querem abandonar seus vícios egoístas e adentrarem num caminho mais consciente, cooperativo e luminoso.

Somente depois de limpo, poderemos realmente dar continuidade ao processo de construção do novo mundo, dando início a uma nova etapa da vida e do ser humano, adentrando naquilo que é conhecido dentro do movimento espiritualista como Mundo de Regeneração ou Nova Terra.

Existe muita coisa confusa e disfarçada em ideologias, políticas e religiões que tentam se passar como promovedoras de direitos humanos, mas que na verdade não demonstram reais valores humanos, apenas interesses pessoais e dos grupos ao qual fazem parte, estejam eles do lado que for.

Se a justiça não é a mesma para todos os lados, isso não é justiça, é passada de pano para um lado e pode nos conduzir a um tipo de opressão e ditadura, disfarçada de reforma política ou social, seja ela do lado que for.
Somente quando a justiça tratar igual todos os lados, estaremos caminhando na direção certa.

Mas as máscaras estão caindo, só precisamos abrir bem os olhos e estarmos dispostos a assumir nossos erros, observando com atenção nossas ações, pensamentos, sentimentos, escolhas e hábitos.

Pois podemos até sermos boas pessoas e não praticar o mal diretamente, porém podemos ainda, ter alguns hábitos, vícios ou ideologias que contribuam para coisas que não são boas de fato, que não promovam saúde, lucidez ou que não sejam a favor da vida e do bem de todo o planeta, o que inclui humanidade, animais e toda natureza.

O nosso bem pode não fazer parte daquele “Bem” que está além da dualidade opositora e conflitante, a qual está tão evidenciada nos dias de hoje e só seremos capazes de combater isso olhando para nós mesmos e resolvendo nossos conflitos internos, fazendo a verdadeira reforma intima.

Não existe caminho para a paz em nenhum tipo de guerra ou conflito, esse tipo de paz é apenas o tempo entre uma guerra e outra, é o tempo necessário até que o oprimido se fortaleça e se torne opressor e a roda ganhe um novo impulso, isso sempre aconteceu ao longo das eras, mas este ciclo está chegando ao fim e o tempo que irá levar para se finalizar, serão nossas ações e reações que irão dizer.

A paz é o único caminho para a paz e para que este jardim floresça no mundo, precisamos semeá-los e cultivá-los em nosso interior.


Aho Mitakuye Oyasin

RPM Ecosss

Lua nova/crescente – outubro de 2023

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